Fratura do úmero proximal: sintomas, tratamentos e cuidados em idosos

Fratura do úmero proximal: sintomas, tratamento e quando a prótese reversa é indicada, com vídeo do Dr. Joel Murachovsky

A fratura do úmero proximal é a quebra da parte de cima do osso do braço, bem junto à articulação do ombro. É uma das fraturas mais comuns em pessoas idosas e costuma acontecer depois de uma queda. Os sinais mais frequentes são dor intensa no ombro, inchaço, roxo e dificuldade para mexer o braço.

Nem toda fratura do úmero proximal é igual. Existem fraturas simples, que podem ser tratadas sem cirurgia, e lesões complexas, com vários fragmentos, em que diferentes opções cirúrgicas precisam ser consideradas. No vídeo abaixo, explico um caso real de fratura em quatro partes tratado com prótese reversa do ombro.

O que é uma fratura do úmero proximal?

O úmero é o osso longo localizado entre o ombro e o cotovelo. Chamamos de úmero proximal a sua extremidade superior, região que participa diretamente da articulação do ombro e onde também se prendem os tendões do manguito rotador.

Quando ocorre uma quebra nessa região, temos uma fratura do úmero proximal, que muitos pacientes chamam de “fratura do ombro”.

A gravidade da lesão depende de vários fatores: localização da fratura, número de fragmentos, grau de deslocamento, qualidade do osso, idade e condições clínicas do paciente. Por isso, duas pessoas com uma aparente “fratura no ombro” podem precisar de tratamentos completamente diferentes.

Por que essa fratura é mais comum em idosos?

Com o avanço da idade, a densidade e a resistência dos ossos diminuem, e traumas aparentemente pequenos podem provocar fraturas importantes.

Uma situação bem característica é a queda da própria altura. A pessoa cai diretamente sobre o ombro ou tenta se proteger apoiando a mão ou o braço no chão. A energia do impacto é transmitida até a parte de cima do úmero e provoca a fratura.

Por isso, uma queda que parece simples nunca deve ser subestimada quando o idoso fica com dor intensa ou dificuldade para movimentar o ombro depois.

Quais são os principais sintomas?

Os sintomas variam de acordo com a fratura, mas alguns sinais são frequentes:

  • dor intensa no ombro após uma queda ou trauma;
  • dificuldade ou incapacidade para levantar e movimentar o braço;
  • inchaço;
  • roxo (hematoma) no ombro e no braço;
  • sensibilidade ao toque na região;
  • perda importante da função do braço.

Diante desses sintomas após um trauma, procure atendimento médico. Não tente movimentar o braço repetidamente para descobrir se houve ou não uma fratura.

Como é feito o diagnóstico?

A avaliação começa pela história do trauma e pelo exame físico. Os exames de imagem são fundamentais para identificar a fratura e entender suas características. A radiografia costuma ser o primeiro exame. Dependendo da complexidade da lesão, outros exames de imagem podem ser necessários.

Mais importante do que confirmar que existe uma fratura é entender como ela é: quais estruturas foram atingidas, se os fragmentos se deslocaram e qual é a configuração da lesão.

O que é uma fratura do úmero proximal em quatro partes?

Algumas fraturas do úmero proximal são simples. Outras têm mais fragmentos e são mais complexas. Uma das formas que os ortopedistas usam para avaliar essas lesões considera quantos segmentos do osso estão envolvidos.

Nas chamadas fraturas em quatro partes, existem quatro fragmentos principais. São lesões que exigem avaliação cuidadosa, porque deslocamento, circulação de sangue nos fragmentos, qualidade óssea e condições gerais do paciente interferem diretamente na escolha do tratamento.

A classificação, porém, não deve ser analisada sozinha. A decisão precisa considerar o paciente como um todo.

Toda fratura do úmero proximal precisa de cirurgia?

Não. Essa é uma dúvida muito comum entre pacientes e familiares.

Muitas fraturas podem ser tratadas sem cirurgia. Em outros casos, fatores como deslocamento importante dos fragmentos, instabilidade, comprometimento da articulação, complexidade da fratura, idade, qualidade óssea e rotina do paciente podem levar à indicação cirúrgica.

Não existe um único tratamento para todas as fraturas do úmero proximal. Por isso, nos casos mais complexos, a avaliação individual por um ortopedista especialista em ombro é importante.

Quando a prótese reversa do ombro pode ser considerada?

Em algumas fraturas complexas do úmero proximal, principalmente em pacientes idosos, uma das possibilidades de tratamento é a artroplastia reversa, também chamada de prótese reversa do ombro. Nesse procedimento, a prótese modifica a mecânica da articulação.

A indicação não depende apenas da idade. O padrão da fratura, o número e a posição dos fragmentos, a qualidade óssea, as estruturas envolvidas e as condições clínicas e funcionais do paciente precisam ser considerados antes de qualquer decisão.

Ou seja: ter uma fratura do úmero proximal não significa precisar de uma prótese. Saiba mais sobre a artroplastia (prótese) de ombro e sobre quando a prótese de ombro é indicada.

Um caso de fratura em quatro partes após uma queda

Acompanhei o caso de uma paciente de 78 anos que sofreu uma queda da própria altura e teve uma fratura do úmero proximal em quatro partes.

Depois da avaliação das características da lesão, foi indicada uma prótese reversa do ombro. Durante o procedimento, além da colocação da prótese, foram usadas técnicas específicas para posicionar e estabilizar os tubérculos, que são partes do osso onde os tendões do ombro se prendem.

Esse caso mostra por que a avaliação de uma fratura do ombro não termina no diagnóstico de “osso quebrado”. A configuração da fratura pode mudar completamente a estratégia de tratamento.

No vídeo do início deste artigo, mostro as radiografias e explico em detalhes as características desse caso e a estratégia usada no tratamento.

Quedas em idosos: prevenir também faz parte do cuidado

Quando falamos de fraturas do ombro em pessoas idosas, também precisamos falar de prevenção de novas quedas. Algumas medidas simples deixam a casa mais segura:

  • manter corredores e áreas de passagem livres de objetos;
  • evitar tapetes soltos;
  • manter boa iluminação, principalmente à noite;
  • usar corrimãos e apoios quando necessário;
  • ter atenção especial com pisos molhados ou escorregadios;
  • revisar fatores individuais que aumentam o risco de queda.

Outro ponto importante é a saúde dos ossos. Quando uma pessoa idosa tem uma fratura depois de um trauma leve, pode ser apropriado conversar com a equipe médica sobre investigar a fragilidade óssea e o risco de novas fraturas.

Como é a recuperação?

A recuperação varia bastante. Depende do tipo de fratura, do tratamento realizado, da idade, da qualidade óssea, das condições gerais de saúde e da reabilitação.

Em muitos pacientes, a fisioterapia e a recuperação progressiva do movimento são etapas importantes do tratamento. O momento certo de iniciar cada fase deve ser definido individualmente pela equipe responsável. Tentar acelerar a recuperação sem orientação pode ser tão inadequado quanto ficar imobilizado além do tempo recomendado. Veja também a reabilitação após prótese de ombro.

Quando procurar um especialista em ombro?

A avaliação especializada é especialmente importante quando existe:

  • fratura complexa ou com vários fragmentos;
  • deslocamento significativo da fratura;
  • perda importante da função do ombro;
  • necessidade de discutir tratamento cirúrgico;
  • dúvida entre diferentes opções de tratamento;
  • necessidade de prótese ou reconstrução do ombro.

Cada situação precisa ser analisada individualmente. O objetivo não é tratar uma radiografia, mas escolher a estratégia adequada às características da fratura e às necessidades daquele paciente.

Perguntas frequentes

Fratura do úmero proximal é grave?

Depende do tipo. Existem fraturas simples, sem desvio, que costumam ser tratadas sem cirurgia, e fraturas complexas, com vários fragmentos, que exigem avaliação cuidadosa. Em idosos, qualquer fratura após uma queda merece atenção, porque pode afetar a independência no dia a dia.

Quanto tempo leva para colar uma fratura do úmero proximal?

Varia com o tipo de fratura, a idade e a qualidade do osso. A consolidação costuma acontecer em algumas semanas, mas a recuperação do movimento e da força do ombro geralmente leva meses e depende da reabilitação.

Fratura do úmero proximal precisa de cirurgia?

Nem sempre. Muitas são tratadas com imobilização e reabilitação. A cirurgia é considerada de acordo com o desvio dos fragmentos, a complexidade da fratura, a qualidade óssea, a idade e a rotina do paciente.

Quando é indicada prótese reversa após uma fratura?

Em algumas fraturas complexas, principalmente em idosos, como certas fraturas em três ou quatro partes, quando fixar o osso não é a melhor opção. A indicação depende sempre de avaliação individual.

Idoso que caiu e está com dor no ombro pode ter fraturado?

Pode. Dor intensa, inchaço, roxo e dificuldade para mexer o braço depois de uma queda pedem avaliação médica e radiografia. Não force o braço para testar.

Qual médico trata fratura do úmero proximal?

O ortopedista. Em fraturas complexas, ou quando se discute cirurgia ou prótese, o ideal é o ortopedista especialista em ombro. Conheça o atendimento de ortopedista especialista em ombro em São Paulo.

Agende sua avaliação: WhatsApp (11) 98136-0359 ou telefones (11) 3739-1334 e (11) 2151-9385.

Este conteúdo tem caráter educativo e não substitui consulta, exame físico ou avaliação médica individual.

Dr. Joel Murachovsky
Médico Ortopedista | Especialista e Cirurgião de Ombro e Cotovelo
CRM-SP 86486 | RQE 46953 | TEOT 6271