frouxidao ligamentar do ombro

Luxação do Ombro

Dr. Joel Murachovsky     Especialista em Cirurgia de Ombro e Cotovelo            Contatos: 11-32570763  ou 11- 37438251

LUXAÇÃO  DO OMBRO

Causas, Sintomas e Tratamento

O termo luxação na realidade significa a perda total do contato entre as extremidades, cobertas de cartilagem, de dois ossos. O termo subluxar significa uma perda parcial desse contato.

O ombro é a articulação que mais frequentemente sofre uma luxação. No caso a cabeça do Úmero se desloca da glenóide.

A estabilidade estática dessa articulação é conferida pelos ligamentos gleno-úmerais, labrum, cápsula articular e geometria óssea. Já a estabilidade dinâmica é conferida pelos músculos do Manguito Rotador e músculos peri-escápulares.

A luxação pode ser para anterior  (mais comum), para posterior e para inferior. Geralmente, quando ocorre, causa muita dor no ombro e , costuma causar incapacidade funcional. Há uma deformidade local pela perda do contorno da cabeça do Úmero, que chamamos de sinal da dragona militar. O paciente pode, ainda, apresentar uma limitação da movimemtação do ombro e a articulação pode edemaciar.

Após um primeiro episódio há a chance de novos episódios ocorrerem e quanto mais vezes luxa mais chances tem de um novo episódio ocorrer. Sabe-se ainda que pacientes homens e jovens tem maior chance de um novo episódio de luxação ocorrer, especialmente se o mesmo realiza atividades esportivas que exijam do ombro acometido. Chamamos isso de luxação recidivante do ombro ou instabilidade.

A causa mais comum para luxar um ombro é um trauma sobre o ombro que faz com que ele se desloque de sua posição. Contudo, microtraumas , tais como em atividades esportivas e, hiperfrouxidão ligamentar podem causar uma luxação ou uma subluxação do ombro.

Na eventualidade de uma luxação, o melhor a se fazer é posicionar o braço acometido numa posição ao lado do corpo, da maneira mais confortável possível e procurar um pronto-socorro.

No pronto-socorro radiografias devem ser realizadas para descartar a presença de qualquer fratura associada, sendo as mais comuns a da borda anterior da glenóide e fratura do tubérculo maior do úmero e, então o ombro deve ser reduzido, ou seja, a cabeça do úmero deve ser trazida de volta para seu contato com a glenóide, por meio de manobras específicas.

Após a redução o ombro é imobilizado em uma tipóia por quatro semanas e depois deve iniciar a reabilitação.

É importante salientar que quando o ombro luxa lesões  dentro da articulação podem ocorrer. Da mesma maneira que o mais comum é ocorrer uma luxação para anterior, é comum ocorrer uma lesão do labrum anterior e inferior (lesão de Bankart) e um alongamento da cápsula articular. O labrum é um tecido de fibrocartilagem que envolve toda a glenóide e uma lesão na porção ântero-inferior leva a uma frouxidão da porção anterior dos ligamentos do ombro, facilitando novas luxações, já que esses ligamentos se inserem no labrum.

Portanto, sempre que possível, uma ressonância magnética deve ser solicitada para se avaliar as possíveis lesões que podem ocorrer  após uma luxação do ombro.

Nas subluxações e luxações que ocorrem sem um trauma aparente, provavelmente devido a uma hiperfrouxidão ligamentar e/ou fraqueza muscular normalmente não encontramos lesões na articulação quando analisamos a Ressonância Magnética. Contudo esses pacientes podem voltar a subluxar ou luxar o ombro ou podem se queixar de dor sempre que movimentam o ombro. Esses pacientes precisam ser reabilitados para evitarem ter recidiva. Um programa de fortalecimento dos músculos da cintura escapular e músculos peri-escapulares é indicado, assim como trabalho de propriocepção do ombro e, na grande maioria das vezes, o paciente com luxação ou instabilidade atraumática  melhora completamente seguindo esse programa de reabilitação.

Nos casos de lesões causadas por microtraumas, por vezes a principal queixa desses pacientes é dor ou sensação que seu ombro vai deslocar ao posicionar o braço em abdução e rotação lateral. Também esses pacientes podem referir uma sensação de perda dos sentidos desse braço no momento do gesto esportivo (por exemplo, arremesso ou saque)

Esses pacientes geralmente apresentam um certo grau de frouxidão ligamentar e o exame de ressonância magnética mostra lesão  do labrum glenoidal. Da mesma maneira, os pacientes com uma luxação causada por um trauma e que não apresentavam frouxidão ligamentar tendem a ter uma lesão do labrum, como dito anteriormente. Esses casos tendem a ter recidiva da luxação ou subluxação e, nessa situação o tratamento cirurgico é a melhor opção.

A cirurgia pode ser realizada por meio da artroscopia ou por via aberta, para isso diversos fatores são levados em conta para se indicar um método ou outro, tais como: idade do paciente, números de episódios de luxação, atividades esportivas, presença de lesões ósseas associadas.

Normalmente a taxa de sucesso após uma cirurgia por luxação ou subluxação do ombro gira em torno de 95% desde que bem indicada.