Impacto interno do ombro

Dr. Joel Murachovsky        Especialista em Cirurgia de Ombro e Cotovelo

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IMPACTO INTERNO DO OMBRO Causas, Sintomas e Tratamento

Provavelmente é a causa mais comum de dor posterior no ombro de atletas arremessadores (entende-se por atletas arremessadores todos os atletas que exercem suas atividades esportivas com o braço acima da altura do ombro). É também chamado de impacto póstero-superior do ombro e, seu diagnóstico pode ser confundido como uma tendinose do manguito rotador.

Imagem mostrando o impacto interno do ombro

O que ocorre, na realidade, é que no momento, em que o ombro do atleta está em abdução de 90o e rotação lateral máxima, a porção articular mais posterior do supra-espinal, assim como a porção mais superior do infra-espinal, impactam com a porção superior-posterior da glenóide. Embora, comum em atletas, certas atividades laborativas em que o paciente precise manter seu ombro nessa posição também estão sujeito a desenvolver o impacto interno do ombro.

Como esses atletas buscam melhorar sua performance, uma maior rotação externa é essencial, seja num arremesso ou saque; isso predispõe ao impacto interno do ombro. Por isso atletas de arremesso que iniciam suas atividades esportivas mais precocemente desenvolvem certas adaptações ósseas, cuja vantagem seria propiciar a esse atleta uma maior rotação lateral no momento do arremesso ou saque sem que ocorra o impacto interno.

Normalmente o paciente reclama de dor na porção mais posterior do ombro de inicio insidioso e que está relacionada ao posicionamento do braço e, nos casos de atletas, que pode atrapalhar a performance.

No exame físico desses pacientes é possível se observar um aumento da rotação lateral  e diminuição da rotação medial. Isso ocorre tanto pela adaptação óssea descrita anteriormente (aumento da retroversão do úmero), como por uma contratura capsular posterior. Essa contratura capsular posterior ocorre pela distração que o ombro desses atletas sofrem no momento da soltura da bola, ocorrendo inicialmente micro-traumas , fibrose e, por fim, uma contratura capsular posterior. Com isso a cabeça do úmero tende a transladar superiormente, assim como posteriormente, facilitando o impacto póstero-superior da cabeça do úmero com a glenóide , diminuindo mais a rotação medial e, conseqüentemente, aumentando a rotação lateral. Além disso o paciente reclama de dor no momento em que posicionamos o ombro acometido na posição que simula o movimento de arremesso, mas que melhora no momento em que fazemos uma força de anterior para posterior no braço. Nos casos em que o paciente apresenta lesão parcial do manguito rotador e lesão labral superior, o paciente normalmente apresenta os testes clínicos positivos para essas alterações, como já foi descrito nos capítulos referentes a essas patologias.

O exame de Raio-x simples pode não mostrar nada, mas as vezes é possível se observar pequenos cistos no tubérculo maior do úmero, assim como pequena esclerose óssea. A Ressonância Magnética pode mostrar apenas cistos na região do tubérculo maior do úmero, assim como na porção posterior e superior da glenóide, como também edema ósseo, eventualmente pode ser observado. A contratura da cápsula articular poerior e inferior pode estar presente. Em casos mais avançados, há a lesão parcial articular do manguito rotador e, pode haver uma lesão labral superior anterior-posterior (SLAP).

O tratamento conservador é indicado para os casos sem lesões ou casos de lesões pequenas e assintomáticas ou pouco sintomeaticas.

O paciente deve parar com as atividades que causam a dor. Se for uma atleta de arremesso deve parar de arremessar ou sacar, mas se for um trabalhador braçal deve parar sua atividade laborativa. Esse repouso relativo pode ter de durar até 6 semanas. Nesse período é importante que o paciente realize alongamentoda cápsula posterior e do peitoral menor. Exercícios isométricos para a muaculatura Peri escapular, assim como para os rotadores do ombro devem ser indicados. Quando o paciente está sem dor exercícios isotônicos devem ser indicados e o atleta é reorientado gradativamente ao retorno ao esporte, sempre se preocupando em corrigir falhas  do gesto esportivo.

O tratamento cirúrgico é indicado na falha do tratamento conservador, geralmente quando já temos lesões associadas. As lesões devem ser tratadas como explicado anteriormente nas páginas específica de cada lesão e, se o paciente apresentar limitação da rotação medial, uma capsulotomia posterior deve ser realizada. O pós-operatório deve seguir os protocolos relacionadas para cada uma das patologias, que, eventualmente, foram tratadas cirurgicamente.